domingo, 19 de maio de 2013

28 de abril de 2013 - Delhi - Chandigarh

Após o chai matinal despedimo-nos da Mamaji e do Papa e pegamos a estrada para Chandigarh. Eles ficaram em Delhi por conta da saúde do pai.
Paramos no meio da estrada para um segundo café da manhã, eu, Manu e Micky. O primeiro prato de café da manhã  foi masala de feijão com pão e salada de cebola, com bastante pimenta, claro. O segundo foi roti com paneer (queijo indiano) e foi o roti de queijo mais delicioso que já comi na minha vida!




Voltamos à estrada e só paramos em Chandigarh. Esta cidade é para esquecer tudo que você sabe sobre as cidades indianas: é limpa, organizada, cheia de jardins, muita área verde e o trânsito funciona sem a confusão de Delhi. Vacas, só na entrada da cidade, o que foi uma pena, pois eu adorava vê-las passeando tranquilamente no meio dos carros, ônibus e tuck tucks... O alto nível de vida aqui também é bastante visível, com grandes vivendas e carros de luxo.



Chegamos à casa da família e apareceram 2 pessoas para descarregar o carro. A primeria foi a Manju, empregada da casa há mais de 10 anos; e o Samu, um rapazinho muito querido, de 14 anos, que vive na casa da família e ajuda no dia-a-dia. Fui apresentada aos dois e ao entrar na cozinha reparei que a Manju já estava a começar a preparar o chai. Pedi a ela para que fosse eu a terminar, afinal, eu já sei fazer o chai! Aprendi em Lisboa com Gagan, que por acaso é irmão da Manu e do Micky.
Depois de beber o chai, descansei até o final da tarde, quando a Manu deu-me de presente em nome da Mamaji e do Papa um lindo traje indiano, típico do Punjabi. A roupa não vem costurada dos lado e a calça tem de ser feita depois, vem apenas o pano. Tudo é feito depois de comprar por uma costureira, à medida da pessoa. Fui com a Manju à uma casa onde um rapaz que aparentava ter uns 16 anos tirou-me as medidas enquanto a costureira anotava em um papel.
Ganhei também uma roupa típica de Goa, brincos, maquiagem e cosmética. Só mimos :)
Saímos à noite para dar uma volta na cidade. Fomos ao Sector 1 (a cidade é dividida por sectores, como os bairros no Brasil. A família, por exemplo, mora no Sector 33). No Sector 1 fica a Mão que é o símbolo da cidade. Tiramos algumas fotografias, compramos pizza e regressamos à casa. Por norma, às 21h as pessoas encontram-se em casa. Bares, restaurantes e lojas estão encerrados. Alguns restaurantes porém podem fechar às 22h.

Depois de jantar, fomos à casa das vizinhas e dançamos Bhangra, um ritmo típico da região do Punjabi, com um swing e coreografias únicas! Na verdade, aprendi a dançar um  pouco de Bhangra com elas.



domingo, 12 de maio de 2013

27 de abril de 2013 - Nova Delhi

 Bem... Neste dia, mais compras. Por causa do problema de saúde do pai, muitos lugares que estavam agendados para visitar tiveram de ser adiados para uma próxima vez, por isso estive mais tempo em Delhi do que era previsto, mas foi bom porque vivi a cultura e não apenas conheci.
Ontem começou a aparecer umas manchas vermelhas nos meus braços, que eu reconheci ser a alergia por excesso de pimenta. Já me tinha acontecido em Lisboa duas vezes (eu adoro pimenta e às vezes exagero), então já fui preparada e levei anti-alérgicos e creme para as manchas. Eu adorava as comidas picantes e não ia parar de comer por conta de umas manchinhas... Foi por esse motivo que a senhora da faxina entrou no meu quarto, limpou com as luzes acesas e ventilador no máximo, saiu e eu não percebi nada! Dormi como uma pedra por conta da medicação. Quando acordei passava das 10h da manhã e eles falaram que me iam levar num especialista em pele. Eu disse saachi nai! Não era preciso, eu já conhecia a alergia e sabia que passaria. Falaram no assunto do médico mais 2 vezes, mas eu falei que não era mesmo preciso. Tanto cuidado, tanto carinho, encantei-me... :)
A tarde fui com a Manu e a mamaji ao shopping. Comprei mais vestidinhos e acessórios. Comprei também uma legging para poder usar os vestidos lá. Apesar do vestido chegar ao joelho, o conservadorismo impera...
Uma situação engraçada foi quando a Manu ia a andar depressa e entrou numa loja que nem eu nem a mamaji percebemos qual foi. Seguimos olhando para dentro de todas as lojas para tentar encontrá-la. Parei perto de uma, mas a Mami não percebeu que parei e seguiu em frente. Até que o segurança da porta da loja olhou para mim e disse "a menina que você procura está no provador". Como ele sabia quem eu procurava, não sei. Quando procurei a mamaji ela já ia longe e eu tive de gritar "mamiiiii". Neste momento as pessoas a volta viraram os rostos surpresos, olhando para mim e para a mami. :p
Paramos também numa loja de maquiagem e eu comprei um lindo baton Inglot. A Manu e a mami também compraram.

A mami estava cansada e voltou para casa. Nós ficamos no shopping e o Hiamanshu, que conheci ontem, foi ter conosco ao shopping para irmos ao mercado. Em seguida fomos buscar a Priyanka para ir consoco.

Andamos bastante pelo mercado, compramos acessórios, sandálias e comemos na rua.


Este foi só para brincar, não comprei...



Eu, a Priyanka e a minha alergia no braço...



Enfim, mais um dia de compras. Ao chegar a casa, conheci Mikky, o membro mais novo da família, que saiu de Chandigarh, noroeste da India, para buscar a mim e a Manu em Nova Delhi.

sábado, 11 de maio de 2013

26 de abril de 2013 - Nova Delhi

Um dia muito divertido em shopping, mercado e jantar a noite.
Foi o primeiro shopping que entrei em Nova Delhi e nada difere dos centros comerciais da Europa / Brasil. Lojas de grifes e as mais baratinhas, praça de alimentação com fast food e muita gente fazendo compras de um lado para o outro. A única diferença era que mesmo no shopping as pessoas olhavam muito pra mim, principalmente os vendedores.
Para entrar no shopping, o carro passa por uma rápida vistoria dos seguranças. Até a mala do carro é verificada. Depois de sairmos do carro e nos dirigirmos à entrada do shopping também nós passamos pela segurança. Há duas portas com detectores de metais, uma para mulheres e outra para homens. Depois de passarmos pelo detector, entramos atrás de uma zona fechada com cortinas para sermos revistadas por uma polícia feminina. Ela passa a mão rapidamente a volta do nosso corpo quase sem tocar e olha as nossas bolsas. Depois sim, podemos entrar no shopping.
A Manu entrava em lojas como Zara (caríssima por sinal), Mac, Benneton, Mango etc... A mim nada dizia estas lojas, eu ia mesmo a procura de lojas com roupas tradicionais. Apaixonei-me pela Global Desi e LifeStyle onde comprei vestidinhos, batas e acessórios indianos. Antes de ir ao shopping conversei seriamente com Manu para não pagar mais minhas compras, rs... Falei que desta forma já não ia gostar de nada porque já estava a ficar sem graça como uma criança a gostar e querer tudo. Ela concordou em não pagar roupas e acessórios, mas só. De resto não comprei uma única garrafa d'agua!

Lanchinho: copo de milho cozido com limão e pimenta...


Eu estava morta por um café! Por já conhecer um pouco da cultura indiana em Portugal, levei na mala um pacote de café em pó. Mas não me passava pela cabeça que não iria encontrar um coador em lado  nenhum. No shopping encontrei um Coffee Shop e corri para lá, como se estivesse visto um oásis no meio do deserto.

Ao voltar do shopping fomos a casa da vizinha e comentei que queria comprar algumas estátuas de Ganesha, Saraswati, algumas coisas para decoração e um saree. A senhora ofereceu-se para ir junto, pois conhecia lugares bons para comprar este tipo de coisa. Foram as compras mais rápidas e engraçadas da minha vida! Primeiro que fomos de cycleshaw (o homem vai pelo centro da cidade pedalando com a gente atrás). Foi muito divertido e eu ia tirando foto da cidade toda.


Segundo que ao chegarmos, a senhora andava quase a correr, entrando e saindo de lojas a puxar-me pela mão (e eu a tentar puxar a Manu atrás), a atravessar a rua naquele trânsito louco, passando entre carros, tuck tuck (rickshaw), cycleshaw, motos, bicicletas e de vez em quando até uma vaquinha tranquila, passeando indiferente a toda aquela confusão. Eu não sabia se ria às gargalhadas ou se olhava o trânsito para não ser atropelada...




Sair para fazer compras com indianos e não parar para comer, não existe. Compramos Mathri, que adoro e já havia comido muitas vezes em Portugal.

Na volta para casa, enfim, voltamos no famoso tuck tuck, conhecido na India como rickshaw. Emocionante! Pega uma velocidade surpreendente e a todo momento a gente pensa que vai bater no carro da frente. Além de não bater ainda consegue passar por qualquer brecha no meio do trânsito. Eu assustava-me a todo momento, mas as minhas companheiras... tranquilas, tranquilas...

No regresso, ainda comi uma chamuça na casa da vizinha e ao chegar a casa, a pensar que ia dormir, fui informada de que ia jantar a casa de uns amigos da família. Foi pousar as sacolas de compras e sair.
Fomos eu, Manu e Mama Ji. O pai ficou em casa pois ainda estava a recuperar a saúde. A família era muito simpática, com dois filhos adolescentes, a Priyanka e o Himanshu. Como sempre fazem questão de servir boa comida e só sentam para comer também quando certificam-se que todos os convidados estão bem servidos. É engraçado pois vamos jantar a casa deles, mas não comemos todos juntos. A dona da casa só começou a comer depois que nós já estávamos na sobremesa. Foi quando ela sentou-se e "relaxou", pois enquanto comíamos estava sempre a levar coisas para a mesa e a perguntar se estava bom, se queríamos mais...
A conversa era praticamente toda em Punjabi e eu ficava mais calada, óbvio. Uma hora a Manu olhou pra mim e disse em inglês "A mama é só elogios pra você, Haialla!" Foi quando a mama olhou para mim e falou para a dona da casa: "she is my daughter" (ela é minha filha).
Ao voltar para casa fui dormir sentindo que eu já somava mais 10 kilos ao meu peso. 

25 de abril de 2013 - Nova Delhi

Passei o dia todo em casa.
De manhã, depois do café da manhã, a Manu chamou para ir até a esquina da rua levar roupa para passar. Achei muito engraçado. Um rapaz fica na rua, embaixo de uma espécie de cabana com uma tábua de passar e um ferro a passar roupas para as pessoas que chegam, entregam suas roupas lavadas e depois voltam para buscar. Chegamos e entregamos as roupas. Não precisa dizer nada. Não há nenhum tipo de registo, senha ou papel para levantar e mesmo assim é suposto ele saber exatamente qual é o seu saco de roupa quando você voltar para buscar. No meio de tantas...
Algumas horas depois eu lembrei e falei com a Manu que ia buscar. Ela logo se espantou "sozinha?". Eu disse que não se preocupasse, que eu não seria sequestrada por ir até a esquina, há 50 metros de casa. Ela disse que era só buscar a roupa. E foi a única vez que saí sozinha na India uhuu :) ... Ao chegar lá, o rapaz simplesmente olhou pra mim, pegou nas roupas engomadas e me entregou.
A tarde passou-se algumas situações chatas, problemas pessoais que por questões óbvias não vou descrever. Mas depois deste dia, a Auntie passou a ser a minha mãe indiana, a Mama Ji. Ela disse-me para voltar a India quando quisesse, aquela era a minha segunda casa e eles são também a minha família. Fiquei muito emocionada durante toda a viagem com tanto carinho e cuidado que tiveram comigo todo o tempo!


24 de abril de 2013 - Agra - Taj Mahal

A distância entre Nova Delhi e Agra são cerca de 210km. Eu imaginei que íamos levar no mínimo 4h para lá chegar. Qual não foi a minha surpresa quando vi uma bela auto-estrada, toda sinalizada e com asfalto quase de seda!
Saímos de casa as 6h da manhã: eu, Manu, Auntie (mãe de Manu), Sunny (o rapaz que foi a conduzir o carro para nós) e Tiuze (uma menina vizinha deles em Delhi que foi conosco porque nasceu em Agra e supostamente conhecia tudo lá). Digo supostamente porque andávamos lá dentro a pedir informação na cidade de como chegar ao Taj Mahal. Eu imaginei que Agra fosse uma cidade pequena, mas é bastante grande. Um conselho quando for a India: peça sempre informação à polícia ou guarda de trânsito. É que os indianos gostam muito de ser simpáticos com os turistas e têm vergonha de não saber o lugar, desta forma, quando não sabem, inventam. Seguíamos uma direção indicada e depois percebíamos que estávamos completamente do lado oposto. O rapaz que conduzia o carro (Sunny) por precaução sempre fazia a mesma pergunta a três pessoas diferentes na rua e quando via um polícia ainda ia confirmar.
Saímos de casa sem comer e por volta das 7:30 paramos numa localidade chamada Noida para tomar um café da manhã rápido: chá ou café com leite com sanduiche vegetariano.

Auto-estrada para Agra.

Café da Manhã rápido em Noida


Pedindo informações na rua...


Depois de nos situarmos em Agra paramos numa tasca/boteco/café, como queiram chamar, sentamos e um tempo depois o rapaz que servia colocou grandes pratos com comida à nossa frente. Ainda eram 9:30 da manhã e perguntei porque íamos almoçar tão cedo. A Manu simplesmente disse "não é almoço, é café da manhã" e eu mal pude acreditar naquele "tanto" de café da manhã...


Ao sair do estabelecimento onde tomamos o nosso café da manhã, deparei-me com esta imagem... Um senhor a tomar o seu café da manhã....

Para ir até o Taj Mahal temos de trocar o carro por um daqueles carrinhos de golfe muito parecido com o tuck tuck. Podemos optar também por ir de camelo, mas provavelmente por ser muito mais rápido elas optaram pelo carrinho e eu tive de ir... :(


Para entrar no Taj Mahal há 2 preços. Para indianos, 20 rupias (cerca de 28 cêntimos de euro / 75 centavos de real). Para turistas, 750 rupias!!! Ou seja, 10 euros e 50 cêntimos / 28 reais!!! Mas como sempre eu não gastei nem uma rupia sequer!

Ver o Taj Mahal pela primeira vez é uma sensação indescritível! É como tornar palpável aqueles milhares de documentários que tantas vezes vimos na TV... É dar-se conta de que este grande mausoléu, a maior prova de amor do mundo, existe! A primeira coisa que pensei foi "uau, estou olhando para o Taj Mahal, estou pisando no Taj Mahal... que sonho!" É, sem dúvida, um deslumbre para os olhos...!

O Taj Mahal foi classificado pela UNESCO como Património da Humanidade e é uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno. O mausoléu foi feito entre 1632 e 1653 por 20 mil homens, provenientes de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna. Shah Jahan adoeceu gravemente logo após o términio da construção do monumento e o seu filho tomou o trono para si, exilando o pai no Forte de Agra. Conta a lenda que Shah Jahan passou o resto do seus dias a observar o Taj Mahal pela janela do Forte. O Taj Mahal contém inscrições retiradas do Corão e é incrustado com pedras preciosas, inclusive diamantes negros. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. A volta do edifício tem duas mesquitas e quatro minaretes. O prédio inteiro é feito de mármore branco caríssimo, da melhor qualidade. Este deve ser o motivo pelo qual nós não podemos pisar no Taj Mahal com os nossos sapatos sujos da rua... Devemos retirar e entrar descalço ou colocar uma capa nos pés, igual aquelas usadas por médicos nas cirurgias. Foi o que coloquei, pois estavam 43 graus e era impossível andar sem queimar os pés (apesar de, não sei como, haver alguns indianos corajosos completamente descalços...).



Antes de entrar literalmente no Taj Mahal tirei algumas fotos do lado de fora e pude observar cenas inusitadas como turistas indianos a tirarem fotografias minhas... Dois deles chegaram inclusive a pedir para tirar fotografias comigo, pedidos que foram negados por Manu e sua Mami "Nai Nai". Achei graça a situação e a Manu explicou-me que os indianos adoram tirar fotos com pessoas de pele clara, principalmente se o cabelo for claro. Já dentro do edifício duas crianças olhavam para mim como se estivessem a ver um ser de outro mundo. Estenderam-me a mão para apertar, mas os rostos continuavam sérios e os olhos esbugalhados... Assim, chamei-os para tirar foto comigo enquanto a mãe e o pai olhavam a sorrir.

Enquanto eu tirava fotos à volta do mausoléu, notei alguns rapazes tirarem fotos minhas de longe e Manu a volta tentando tapar meu rosto e a ralhar com eles. Eu só dizia "estou me sentido uma estrela de Bollywood" lol
Estar dentro do Taj Mahal é uma sensação maravilhosa... Pena que não podemos tirar fotografias... Com um jeitinho escondidinho com o telemóvel/celular, tirei uma foto bem rápida do túmulo da Mumtaz Mahal... E Shah Jahan ao lado...

Saímos do Taj Mahal e fomos a procura de um lugar para comer e a decepção com a cidade mais turística da India foi grande... Com excepção da área do Taj Mahal, Agra é uma cidade muito, muito suja. Nova Delhi não é exemplo, é muito suja também, as pessoas jogam o lixo no chão e pela janela do carro (como no Brasil), mas eu já estava tão acostumada com Portugal que passava horas com um lixinho na mão a procura de um caixote e não encontrava... Mas Delhi, com mais de 9 milhões de habitantes, ainda consegue ser melhor que Agra que tem pouco mais de 1 milhão. Havia tanto lixo amontoado ao longo das ruas que cheirava mal... De modo que precisava de muita coragem para escolher um restaurante para comer. Assim sendo fomos almoçar num hotel: chique, cheiroso e com ar-condicionado, contrastando totalmente com os 43 graus da rua.
Éramos 5 pessoas e foram pedidos 7 tipos de pratos mais o famoso pão chapati/roti. Não é à toa que 5 dias depois de chegar a India eu já contava uns kilos a mais facilmente notados nas fotografias! É que as comidas são deliciosas e como quase tudo era novidade eu provava de tudo! A sobremesa (sorvete) nem sequer me foi perguntado se queria, ela veio e eu comi... Já estava com a barriga "lotada"!
Ao sair do restaurante, entramos numa loja de calçados. Enquanto escolhíamos, um dos funcionários apareceu com uma bandeja com copos de água para nós. Recusei. Em seguida, outra bandeja com copos de cola. Recusei e Manu aceitou. Depois outra bandeja com copos de chai. Esse eu aceitei mais pela curiosidade de sentir o sabor (só para ver se era igual o de casa :p). Escolhemos as sandálias e mais uma vez fui impedida de pagar...

Estávamos já no carro a pensar regressar a Delhi quando a menina de Agra que estava conosco no carro viu o tio de moto na rua. Ele então convidou-nos a ir a casa dele. A porta de casa estava cheia de macacos e eu tirei várias fotografias. 

Chegamos lá, sentamos na sala e logo apareceram bandejas com água e refrigerantes. As pessoas na casa, muito curiosas, perguntavam quem eu era e de onde vinha. Fui sempre apresentada como alguém da família "irmã" (que na India irmã não biológica pode significar cunhada) ou "prima" dependia de quem perguntava. Se era algum amigo da família a Manu dizia que eu era sua irmã ou prima e explicava porquê... Se era alguém numa loja ou mercado (sim, até os desconhecidos perguntavam a Manu quem eu era), ela dizia mesmo que eu era sua cunhada. As pessoas sempre perguntavam o que eu estava a achar da India. Eles tem muito orgulho do seu país e cultura e todos eles sugeriam que eu regressasse outras vezes, de preferência no inverno.
Bebi refrigerante para não parecer mal recusar, mas estava realmente cheia e quase caio para o lado quando vi chegar as bandejas com batatas fritas, frutos secos e salgados... Disfarçadamente falei a Manu que não aguentava mais ver comida e ela sugeriu-me que eu comesse nem que fosse uma amêndoa...
A menina mais nova da casa resolveu nos mostrar o resto da casa e levou-nos também a casa da tia... Acreditem ou não, depois da apresentação e perguntas de "quem é e de onde vem" apareceram mais refrigerantes e salgadinhos. Eu pensei "só podem estar a brincar comigo". Receber pessoas em casa com comidas e bebidas faz parte da cultura indiana e é a maneira deles dizerem que o visitante é bem vindo. Peguei num refrigerante e fui bebendo pequenos goles enquanto respondia perguntas sobre o que achei do Taj Mahal etc etc... A Mami (mãe de Manu) chegou e sentou-se no sofá também. Os donos da outra casa vieram junto e trouxeram bandeja com chá e um bolo típico da região de Goa. Quando serviram a Mami, ela disse em punjabi "saachi nai". Eu perguntei a Manu o que significava e ela me disse que significa "realmente não!" Quando vieram servir-me o chai e o bolo eu disse "saachi nai!". Falei com grande entonação e gesto com as mãos... Todos caíram na gargalhada e a dona da casa resolveu insistir no bolo tipico de Goa. Eu provei, mas não gostei... saachi ruim!
Despedimos do pessoal e quando sentei-me no carro, apaguei. Quando acordei estávamos já quase chegando em Delhi, mais de 21h. Foi banho, jantar e cama!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

23 de abril de 2013 - Nova Delhi

Acordei com o delicioso chai (chá indiano) feito pela mãe da Manu, acompanhado de biscoitos. Carinhosamente recebido na cama! Mas antes de realmente "acordar" fui surpreendida às 7h da manhã pela diarista que vai lá todos os dias limpar toda a casa. Ela entrou no quarto, acendeu a luz (foi quando abri os olhos), varreu o chão, limpou todos os móveis e saiu. Voltou 2 minutos mais tarde para lavar o chão. Em seguida colocou o ventilador de teto com mais velocidade, esperou uns minutos, diminuiu, apagou a luz e saiu do quarto. Essa cena passou-se todos os dias em que lá estive. Depois de limpar os quartos ela sempre ajudava na cozinha e ia embora. A família não mora em Nova Delhi, estava lá apenas porque o pai da Manu esteve doente e precisou de cuidados médicos, de modo que utilizam a casa apenas por pequenos períodos.
Devido ao calor insuportável que faz durante vários meses, a casa tem ventiladores de teto em todas as divisões (inclusive no banheiro) e na sala de estar, além de 2 ventiladores tem um ar condicionado. Para garantir o clima agradável dentro de casa os ventiladores nunca são desligados.
Depois do chai com biscoitos, que eu pensava ser o meu café da manhã, a Manu pergunta-me que horas eu quero o café da manhã... ??? Eu falei que já tinha tomado café da manhã! E ela me explicou que eu tive apenas o chá. O café da manhã vem a seguir... Então ela preparou-me duas fatias de pão de forma com queijo em creme e salame de frango salteado com algumas especiarias (pimenta incluída), e algumas fatias de presunto de frango. Só não comi tudo porque estava realmente cheia!!!
Uma hora a seguir ao café da manhã havia sempre sumos naturais ou fruta, isso quer dizer que ficar com fome aqui está fora de questão. Por volta das 13h tivemos o almoço (roti/chapata com dhal de lentilhas e frango) sempre com pimenta e bastante especiarias, o que torna a comida mais deliciosa, com sabores únicos!
Neste primeiro dia fomos visitar os mercados abertos (para nós é uma feira mesmo), com coisas lindas! Se não fosse o limite de bagagem perderia a cabeça! Coisas lindas e baratas! Roupas, batas, sandálias bordadas à mão, brincos, pulseiras, bolsas, estátuas de deuses indianos por todos lado, de todas as cores e feitios! Vendedores ambulantes de comidas e bebidas (aqui é que devemos ter um certo cuidado). As roupas coloridas das barracas e lojas contrasta com o lixo das ruas e da pobreza extrema que se vê por todo lado, com pedintes, incluindo crianças.



Paramos para beber um "coca-cola" feita na hora onde o rapaz mistura água gaseificada com um pó. Realmente não gostei nada! Preferi uma coca-cola industrializada que eu alternava com água engarrafada devido ao forte calor.
No centro de Nova Delhi encontramos de tudo, inclusive Sadhu... Sim, aqueles que só costumamos ver no National Geografic Channel...

Se você tem a pele e cabelos claros, andar no mercado de Sarojini Nagar, sozinha em Nova Delhi é pedir para ser enganada. Os vendedores vão fazer de tudo para levar o máximo de dinheiro possível por uma peça de roupa ou o que seja. Por isso o negócio é barganhar/pechinchar. A Manu só me avisou para lhe mostrar o que eu gostasse e ficar calada. O resto era com ela. Ela tentava baixar o preço e quando a cara do vendedor já ficava séria demais significava que já tinha chegado a um preço justo e ele não ia baixar mais. O passo seguinte era pagar e passar para a próxima loja. Aliás, pagar no primeiro dia foi coisa que não consegui fazer. A Manu pagava-me tudo, dizia que era presente para mim. Obviamente já estava a ficar com vergonha e no fim da tarde comecei a dizer que ia comprar presentes para amigos e família. Foi só no que gastei dinheiro.
Uma menina de uns 4 anos veio vender-me uma pulseira dizendo que custava 2 rupias. Depois de colocar no meu braço disse que eram 10 rupias. A Manu deu-lhe 10 rupias e ela... pediu mais... Os vendedores das ruas vão sempre pedir mais e mais. Cabe a nós sabermos a hora de parar.

Como todo bom indiano, o rapaz que nos acompanhava para dirigir o carro, tinha fome e fomos procurar lugar para comer. Eram quase 16 horas e ele precisava de um lanchinho... Paramos na Mc Donalds, onde há muitos menus! Uma variedade enorme de menus vegetarianos e alguns de frango e peixe. Esqueça carne de vaca e de porco na McIndia! Os menus sem pimenta contam-se nos dedos (talvez seja para dar uma chance ao turista). Comi um McSpicy delicioso, com pimenta na medida. Depois comi um bocado do sanduiche da Manu que tinha tanta pimenta que nem ela nem eu que gostamos de pimenta conseguimos comer (tudo) porque até que comi um bocado... :)

O rapaz que estava conosco sentiu fome 5 minutos depois de sairmos da McDonalds, então paramos para beber lassi de coco (bebida típica indiana, doce) e depois seguimos para uma tasca/boteco onde comi umas batatas salteadas com especiarias deliciosas!


Se você gosta de comida indiana não tenha medo de entrar num restaurante qualquer no centro da cidade e pedir um prato típico. Eu já estava cheia, mas tive de provar mais um lanchinho... que mais parece um almoço...


Depois de andar bastante e de ter comprado (ganhado) várias roupas e acessórios, voltamos para casa. Cansada de andar e morta pelo calor!
E como não poderia ser diferente, um grande jantar com bastante comida esperava-nos em casa....